quinta-feira, 21 de maio de 2015

O Prazer de Pedalar Estimular o Amor




















bibibi... Cinco da matina. Desligo o despertador enquanto estico meu corpo na cama e de um pulo envio meu couro para debaixo do chuveiro. Entre as 5 melhores coisas do mundo com certeza está o banho. A vida sem um banho de manhã é como passar os dias com um colchão amarrado nas costas. Um café balanceado conforme orientações especializadas e meia hora depois empurro a magrela em direção ao portão. Nas costas, a mochila carregada com as tralhas para o dia. O vento ainda é frio e uma leve garoa umedece o fim da madrugada. Os latidos do toby vão sendo engolidos pelo silêncio da rua enquanto a esquina se aproxima. A Vila Maria ainda dorme. Enquanto pedalo um flashback do ultimo ano vai passando em minha mente. Impossibilitado de pedalar por uma inflamação na coluna, substituí este prazer por algumas orgias gastronômicas e uma vida para lá de sedentária. Hoje, quase 30 kilos me separam da antiga boa forma. A alimentação balanceada já me tirou 4 deste total somente no último mês. E aos poucos vou retomando o prazer de pedalar sem dor ou grande esfoço. O prazer pode ser definido como alegria, contentamento, agrado, divertimento entre varias outras denominações. Ou seja, tudo que te der alegria ou agrado também será uma fonte de prazer. E é muito fácil substituir as fontes. Durante o período sem pedal passei por algumas fases distintas trocando sem perceber antigos prazeres saudáveis por outros mais “doces”. Primeiro foi uma sensação de leveza, a desculpa da coluna me ajudou a ser menos exigente comigo mesmo me afastando de varias atividades ao mesmo tempo, me dando um tempo para desfrutar o deleite da vagabundagem. Passei em pouco tempo a não fazer mais quase nada que não fosse trabalhar, deitar e ver televisão. Mas até que meu stress merecia um descanso. Depois em poucos meses, os cafés com amigos, almoços, “pizzadas”, churrascos e tantos encontros adiados à tempos, justamente pela falta de tempo se tornou uma rotina. Por fim a percepção tardia de que 39 não é 20 e tão próximo dos 40, o corpo não acompanha tanto a mente, e é preciso de muito mais dele, o tempo, do que eu imaginava para recuperar minha forma anterior. Lembro-me que aos 20 anos resolvi fazer escaladas. Na época reduzi 10 dos meus já magros 80 kilos em um mês somente com pedal diário e ausência de jantares com mais de 200 calorias. Entrei sem perceber em uma roda viva, quanto mais peso, mais difícil é o pedal, quanto menos pedal, mais difícil é perder peso. Voltar ao pedal agora é mais ou menos como construir uma pirâmide na época dos faraós. É possível. Mas vai dar um puta trabalho! Vai ser preciso muita coragem, dedicação e disciplina para não abandonar tudo antes do fim e mesmo que você não morra nesta fase ainda assim, vai levar tempo pra cacete até conseguir ver algum resultado. Mas as dores iniciais já começam a diminuir. O prazer de pedalar vai retomando aos poucos ao mesmo tempo em que vou sentindo-me mais leve e forte. Mais meia hora e passar do bairro para o centro é como passar também por um portal onde a realidade mostra sua face divida em esquinas e entre o céu e o inferno. O transito já buzina sua histeria ao vento ainda frio da manhã. Ainda não são 7h. Crianças correm alegres na porta da escola municipal enquanto nas esquinas da Avenida Ipiranga, as garotas do Love Story dividem os olhares entre suas minissaias e garotos maltrapilhos espalhados pelo chão. Motoristas uniformizados despejam alunos sonolentos nas portas do Mackenzie. A subida da Consolação faz jus ao nome, e o pedal se torna mais lento e mais ritmado. Concentração total, é um momento de mantra mesmo, tem que se dedicar para poder se superar. A claridade vai tomando o dia, e os primeiros raios de sol refletem-se entre os prédios envidraçados da Avenida Paulista. A cidade vai ficando ainda mais bonita. Se para baixo todo santo ajuda, espero que o meu venha com acessórios extras de segurança como um capacete reforçado ou airbag. Disputar espaço na Cardeal Arcoverde com os ônibus, carros e asfalto esburacado não é nada fácil. Tensos minutos depois e as vielas e becos coloridos pela grafitagem na Vila Madalena enche os olhos com alegria. Quarta feira, 15km depois. O segundo role da semana, o sexto do mês. O prazer de pedalar ainda é indescritível.

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